Por que o Brasil ensina inglês e espanhol, mas ainda enfrenta dificuldades para formar comunicadores globais?
Para Laila Compan, CEO da TRADIN, a Copa do Mundo expõe um desafio que vai além do idioma: a necessidade de transformar tradução, interpretação e comunicação intercultural em ferramentas estratégicas para negócios internacionais.
Enquanto a Copa do Mundo conecta países, culturas e mercados em uma escala sem precedentes, ela também evidencia uma realidade enfrentada diariamente por empresas brasileiras: falar um idioma não é necessariamente o mesmo que conseguir se comunicar globalmente.
Apesar de décadas investindo no ensino de inglês e espanhol, o Brasil ainda encontra dificuldades para formar profissionais preparados para atuar em ambientes internacionais, negociar com diferentes culturas e construir relacionamentos globais.
Para Laila Compan, CEO da TRADIN, empresa especializada em tradução, interpretação e comunicação multilíngue, existe uma diferença fundamental entre conhecer um idioma e compreender como ele funciona dentro dos negócios internacionais.
“Muitas pessoas acreditam que a barreira global está apenas na língua. Na prática, ela está na comunicação. É possível falar inglês fluentemente e ainda assim ter dificuldades para negociar, apresentar um projeto ou construir confiança com parceiros internacionais.”
Segundo Laila, eventos globais como a Copa deixam evidente a importância da tradução e da interpretação profissional para conectar pessoas, empresas e instituições que possuem idiomas, comportamentos e referências culturais completamente diferentes.
Nesse contexto, o papel da tradução evoluiu.
Ela deixou de ser apenas uma conversão de palavras para se tornar uma ferramenta estratégica de conexão entre culturas e mercados.
“Traduzir não é apenas converter idiomas. É interpretar contextos, intenções, comportamentos e culturas. Quando uma empresa decide expandir suas operações internacionalmente, ela precisa ser compreendida, e não apenas traduzida.”
A executiva destaca que o crescimento do comércio internacional, das plataformas digitais e das reuniões remotas ampliou significativamente a demanda por profissionais especializados em comunicação multilíngue.
Empresas que desejam internacionalizar suas operações, atrair investidores estrangeiros ou participar de eventos globais passaram a enxergar a tradução e a interpretação como ativos estratégicos para geração de negócios.
“Uma negociação internacional pode ser perdida por falhas de comunicação. Da mesma forma, uma boa interpretação pode aproximar culturas, gerar confiança e acelerar oportunidades. A comunicação tornou-se um diferencial competitivo.”
Para Laila Compan, a educação brasileira ainda concentra grande parte dos esforços no ensino técnico dos idiomas, enquanto habilidades como comunicação intercultural, adaptação cultural e negociação internacional recebem pouca atenção.
“Precisamos formar profissionais capazes de circular pelo mundo com segurança. Isso passa pelo idioma, mas também pela compreensão cultural, pela capacidade de adaptação e pela habilidade de se comunicar em diferentes contextos.”
Na avaliação da especialista, a Copa do Mundo funciona como uma vitrine global dessa necessidade.
Mais do que reunir seleções de diferentes países, o evento demonstra como tradução, interpretação e comunicação estratégica são fundamentais para conectar pessoas, negócios e oportunidades.
“Os mercados mais competitivos não são apenas aqueles que falam vários idiomas. São aqueles que conseguem transformar comunicação em relacionamento, confiança e geração de valor. Esse é o verdadeiro papel da tradução no mundo moderno.”, conclui Laila Compan.
